Altitude, clima ameno e mercado em expansão impulsionam a produção no interior da Bahia
A Chapada Diamantina, no interior da Bahia, conhecida pela produção de cafés especiais, flores e hortaliças, começa a se destacar em uma nova frente agrícola: o cultivo de frutas vermelhas, como mirtilo, morango, amora-preta e framboesa. A combinação de altitude, clima ameno e mercado aquecido por produtos premium tem atraído investidores e produtores rurais.
Produção cresce com foco em qualidade e tecnologia
“A Chapada tem condições favoráveis de solo e clima. O desafio é o acesso à água, por isso estamos implantando as estruturas com responsabilidade e manejo sustentável dos recursos hídricos”, explica Maciel.
Atualmente, 20 hectares já foram plantados, e a expectativa é alcançar produção total em cinco anos. O projeto é acompanhado por pesquisadores da Embrapa Clima Temperado, com inspiração nas técnicas usadas no Peru, hoje o maior exportador mundial de mirtilos, com 300 mil toneladas por ano, segundo a FAOSTAT.
🍓 Frutas vermelhas ganham espaço na Chapada
A amora-preta e a framboesa são cultivadas em menor escala, muitas vezes ligadas à produção artesanal de geleias e doces regionais, somando menos de 100 toneladas anuais.
O mirtilo, ainda sem números expressivos, desponta como a fruta mais promissora pela alta valorização no mercado interno e externo.
Incentivo à agricultura familiar
O agrônomo Paulo Sérgio Ramos, da Seagri, destaca que o governo baiano e instituições como o Sebrae trabalham para levar tecnologia aos pequenos produtores:
“Queremos reduzir o tempo de transição entre manejos, mostrando técnicas mais rentáveis, como o cultivo de morango suspenso e a fertirrigação”, explica.
Esses projetos incluem unidades-piloto, capacitação técnica e arranjos produtivos entre produtores e cooperativas, com o objetivo de fortalecer a cadeia local.
🍇 Agricultores locais apostam na diversificação
Em Ibicoara, a agricultora Isabel Fernandes da Costa decidiu substituir parte das hortaliças pela amora-preta.
“Usamos parte da produção para fazer geleias que vendemos para turistas e comércios locais. Isso aumentou nossa renda e quero aprender a cultivar outras frutas”, conta.
Já em Mucugê, João Aparecido Gomes cultiva dez hectares de morango, e fornece a produção para pousadas e restaurantes da região.
“Os locais turísticos dão prioridade aos produtos da Chapada, o que ajuda a gente a crescer”, diz o produtor.
Futuro promissor
Com o avanço da tecnologia agrícola e a crescente demanda por alimentos saudáveis e diferenciados, a Chapada Diamantina se firma como um novo polo de fruticultura de alto valor agregado no Brasil.
Os próximos anos devem consolidar a região não apenas como referência em cafés especiais, mas também como terra fértil para frutas vermelhas premium.
Fonte: Globorural.