Chapada Diamantina avança no cultivo de frutas vermelhas e mira o mercado premium

 

Altitude, clima ameno e mercado em expansão impulsionam a produção no interior da Bahia

Foto: Javier Maciel/Arquivo pessoal

A Chapada Diamantina, no interior da Bahia, conhecida pela produção de cafés especiais, flores e hortaliças, começa a se destacar em uma nova frente agrícola: o cultivo de frutas vermelhas, como mirtilo, morango, amora-preta e framboesa. A combinação de altitude, clima ameno e mercado aquecido por produtos premium tem atraído investidores e produtores rurais.


 Produção cresce com foco em qualidade e tecnologia

O produtor Javier Maciel, que já cultiva mirtilos na região serrana do Rio de Janeiro, investiu em uma fazenda de 150 hectares em Piatã (BA), totalmente dedicada ao cultivo da fruta.
Segundo ele, o projeto utiliza clones de variedades adaptadas ao clima da Chapada, que não exigem tanto frio.

“A Chapada tem condições favoráveis de solo e clima. O desafio é o acesso à água, por isso estamos implantando as estruturas com responsabilidade e manejo sustentável dos recursos hídricos”, explica Maciel.

Atualmente, 20 hectares já foram plantados, e a expectativa é alcançar produção total em cinco anos. O projeto é acompanhado por pesquisadores da Embrapa Clima Temperado, com inspiração nas técnicas usadas no Peru, hoje o maior exportador mundial de mirtilos, com 300 mil toneladas por ano, segundo a FAOSTAT.



🍓 Frutas vermelhas ganham espaço na Chapada

Embora ainda em fase inicial, o cultivo de frutas vermelhas cresce na região.
Dados da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri-BA) indicam que a Chapada já produz entre 200 e 400 toneladas de morango por ano, concentradas em Mucugê, Ibicoara e Morro do Chapéu.

A amora-preta e a framboesa são cultivadas em menor escala, muitas vezes ligadas à produção artesanal de geleias e doces regionais, somando menos de 100 toneladas anuais.

O mirtilo, ainda sem números expressivos, desponta como a fruta mais promissora pela alta valorização no mercado interno e externo.


 Incentivo à agricultura familiar

O agrônomo Paulo Sérgio Ramos, da Seagri, destaca que o governo baiano e instituições como o Sebrae trabalham para levar tecnologia aos pequenos produtores:

“Queremos reduzir o tempo de transição entre manejos, mostrando técnicas mais rentáveis, como o cultivo de morango suspenso e a fertirrigação”, explica.

Esses projetos incluem unidades-piloto, capacitação técnica e arranjos produtivos entre produtores e cooperativas, com o objetivo de fortalecer a cadeia local.


🍇 Agricultores locais apostam na diversificação

Em Ibicoara, a agricultora Isabel Fernandes da Costa decidiu substituir parte das hortaliças pela amora-preta.

“Usamos parte da produção para fazer geleias que vendemos para turistas e comércios locais. Isso aumentou nossa renda e quero aprender a cultivar outras frutas”, conta.

Já em Mucugê, João Aparecido Gomes cultiva dez hectares de morango, e fornece a produção para pousadas e restaurantes da região.

“Os locais turísticos dão prioridade aos produtos da Chapada, o que ajuda a gente a crescer”, diz o produtor.


 Futuro promissor

Com o avanço da tecnologia agrícola e a crescente demanda por alimentos saudáveis e diferenciados, a Chapada Diamantina se firma como um novo polo de fruticultura de alto valor agregado no Brasil.

Os próximos anos devem consolidar a região não apenas como referência em cafés especiais, mas também como terra fértil para frutas vermelhas premium.


Fonte: Globorural.

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