© Marcello Casal jr/Agência Brasil
Gasolina passa de R$ 7 na Bahia e governo federal manda investigar; Acelen reajustou R$ 0,30 no litro
Senacon enviou ofício ao Cade para apurar possível cartel nos preços. Na Bahia, o impacto é maior porque a Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, segue o mercado internacional, diferente da Petrobras
Redação Blog do Léo Barbosa | 11 de março de 2026 | Economia & Cotidiano
Em postos de Salvador, a gasolina comum já passou de R$ 7,00 o litro. No bairro do Horto Florestal, por exemplo, o preço saltou de R$ 6,91 para R$ 7,13 em apenas 24 horas. A aditivada já chega a R$ 7,43.
⛽ Reajuste da Acelen — março/2026
O preço da gasolina na Bahia rompeu a barreira de R$ 7,00 o litro nos postos de Salvador e o governo federal decidiu agir. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviou um ofício ao Cade, órgão de defesa da concorrência, para investigar possíveis irregularidades no mercado de combustíveis em cinco estados, incluindo a Bahia.
A alta está diretamente ligada à guerra no Irã, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, que entra no 12º dia de conflito, pressionando os preços do petróleo no mercado internacional.
Por que a Bahia sente mais que os outros estados
Enquanto no restante do Brasil o preço da gasolina segue a política da Petrobras, na Bahia a situação é diferente. A Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde, é controlada desde 2021 pela Acelen, empresa do fundo árabe Mubadala Capital.
A Acelen não adota a tabela da Petrobras. Seus preços seguem o mercado internacional, o que torna os combustíveis baianos mais sensíveis às oscilações globais, como a guerra no Irã.
O risco para o comércio baiano
O Sindicombustíveis Bahia alerta que a diferença de preço em relação a outros estados pode fazer caminhoneiros e motoristas de cidades de divisa preferirem abastecer fora da Bahia, reduzindo as vendas no estado e prejudicando postos e a economia local.
O que o governo federal está fazendo
A Senacon acionou o Cade após receber denúncias das seguintes entidades do setor:
O Cade vai apurar se há indícios de cartel ou combinação de preços entre distribuidoras. A Petrobras, por sua vez, não anunciou nenhum reajuste nas refinarias que controla.
Nota da Acelen
"Desde que assumimos a gestão da refinaria, oferecemos produtos com preços competitivos e contratos estruturados, que garantem atendimento e regularidade na entrega, respeitando fórmulas paramétricas de preços. Esse modelo reduz riscos logísticos, apoia a competitividade econômica da Bahia e mantém a continuidade do abastecimento e a previsibilidade para os distribuidores."
— Acelen, em nota ao Portal A TARDE
A situação deve continuar sendo monitorada enquanto o conflito no Irã não der sinais de arrefecimento. O petróleo Brent já ultrapassou os US$ 120 o barril, nível que historicamente pressiona os preços dos combustíveis no Brasil.
Fonte: Portal A TARDE · Senacon · Sindicombustíveis Bahia · Publicado em 11/03/2026 · Blog do Léo Barbosa