Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda a crise
Número representa 10% dos empregados que a empresa tinha no fim do segundo trimestre. Companhia pede recuperação judicial, com dívida de R$ 17,3 bilhões e prejuízo de R$ 10,1 bilhões no período
Redação Blog do Léo Barbosa | 17 de agosto de 2026 | Brasil
⚠️ Crise no varejo
A Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas neste mês de agosto, segundo informou a própria empresa na petição inicial do pedido de recuperação judicial, protocolado na noite de domingo (16) na Justiça de São Paulo.
📄 O que diz o pedido de recuperação judicial
Os cortes e o fechamento de lojas fazem parte de uma reestruturação da empresa, com o objetivo de reduzir custos operacionais. Os 3 mil demitidos representam 10% do total de empregados que o grupo tinha no fim de junho, segundo o balanço financeiro do segundo trimestre, divulgado na madrugada de domingo, após dois adiamentos. Na época, a companhia contava com 30.117 colaboradores.
Ao pedir a proteção judicial, a empresa busca se resguardar da cobrança de dívidas por parte dos credores. Se o pedido for aprovado, a cobrança e o pagamento de débitos ficam suspensos por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado por igual período. Enquanto isso, a operação da empresa segue normalmente, com vendas de produtos e serviços.
Despedidas nas redes sociais
Diversos funcionários demitidos usaram as redes sociais para se despedir da empresa e dos colegas de trabalho. Uma colaboradora que atuava havia seis anos em uma filial de Aracaju (SE) publicou um vídeo emocionado ao encontrar a antiga farda da empresa, relatando um misto de tristeza, gratidão e sensação de impotência com a demissão.
📊 Por trás da crise
Segundo a Casas Bahia, a decisão de pedir recuperação judicial foi motivada pela deterioração das condições econômico-financeiras da companhia. Entre os fatores citados pela empresa estão as taxas de juros elevadas, a restrição de crédito no mercado, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro do negócio.
O pedido de recuperação judicial ocorreu um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que expôs a gravidade da crise: a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, um resultado 18 vezes pior do que os R$ 555 milhões de prejuízo registrados no mesmo período de 2025. A companhia já havia tentado uma recuperação extrajudicial, negociada diretamente com os maiores credores, em 2024, mas não conseguiu se reerguer.
📌 O que muda pra quem compra na loja? As operações continuam normalmente, com vendas de produtos e serviços mantidas nas lojas que permanecem abertas, segundo a própria empresa.
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Fonte: O Globo (Letícia Lopes e Letícia Guimarães) · Publicado em 17/08/2026 · Blog do Léo Barbosa