Jovem indígena viraliza ao resgatar língua ancestral da etnia Payayá, originária da Chapada Diamantina
Stephanie Lourenço, neta de indígena Payayá nascida às margens do rio Utinga, busca reconstruir vínculos com a cultura e impedir que conhecimentos ancestrais se percam
Redação Blog do Léo Barbosa | 8 de setembro de 2026 | Chapada Diamantina
📌 O que acontece?
A psicanalista Stephanie Lourenço, de 24 anos, viralizou nas redes sociais ao mostrar sua jornada de reconexão com a cultura indígena. Neta de uma indígena da etnia Payayá, nascida em uma aldeia às margens do rio Utinga, na Chapada Diamantina, ela busca recuperar a língua ancestral do seu povo e passar a cultura adiante.
A história de Stephanie
Nascida e criada no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, Stephanie é neta de uma indígena Payayá que fugiu da Chapada Diamantina e se mudou para a capital. Para escapar do preconceito, a avó deixou de falar a língua originária, que era vista como "coisa de selvagem".
Durante a adolescência, Stephanie também viveu um afastamento da própria identidade. Pintava o cabelo de ruivo e usava filtros para embranquecer o rosto. "A minha pele não é daquela cor, mas eu queria me encaixar", conta.
Foi aos 12 anos que ela levou a questão para a avó: "Vó, eu sou uma pessoa indígena também, né?". A resposta foi afirmativa: "Você é uma pessoa indígena, a sua mãe também. Não é porque passamos por um processo de miscigenação que deixamos de ser indígenas."
O desafio de recuperar a língua ancestral
A língua tradicional do povo Payayá é considerada extinta por falta de registros históricos. Estudos apontam semelhanças com línguas como Sapuyá e Kariri-Xocó, do tronco Macro-Jê do Nordeste brasileiro.
Há cerca de dois anos, Stephanie se aproximou de pessoas de diferentes povos que vivem processos de reconexão identitária e conheceu o coletivo Raiz Retorna, formado por indígenas mestiços que buscam reconstruir vínculos com seus povos.
"O processo de reconexão com a língua está sendo muito na base da observação, de tentar compreender tudo o que já se fala e conectar com o que precisamos construir."
— Stephanie Lourenço
A conexão com a Chapada Diamantina
A avó de Stephanie nasceu em uma aldeia às margens do rio Utinga, na Chapada Diamantina, na Bahia. A história da jovem é um exemplo de como a cultura indígena, mesmo silenciada pelo preconceito, pode ser resgatada e passada adiante.
Stephanie acredita que tornar essas identidades visíveis é fundamental. O Censo 2022 identificou 1,7 milhão de indígenas no Brasil, um crescimento de 88,8% em relação a 2010. Desse total, 914,7 mil vivem em áreas urbanas (53,97%).
Para ela, reconhecer essa presença é essencial para que políticas públicas também abracem quem vive longe das terras indígenas.
"Acredito que esses movimentos são muito importantes para que os povos continuem a passar essa cultura adiante e as pessoas consigam se ver como originárias, e não como 'fruto de alguém que foi pego a laço', falando disso como se não fosse uma violência."
— Stephanie Lourenço
"Quero passar a cultura adiante"
Para Stephanie, recuperar esses conhecimentos é uma forma de garantir que eles cheguem às próximas gerações.
"Acho que a parte mais bonita da retomada é essa força de continuar, mesmo com os empecilhos. Para que os filhos nasçam sem precisarem dizer que são pessoas 'marrons', mas sim: 'Eu sou uma pessoa indígena, sou de tal povo, tenho tal ascendência'."
— Stephanie Lourenço
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Fonte: Marie Claire · Publicado em 08/09/2026 · Blog do Léo Barbosa