Rio Utinga seca, peixes morrem e população cobra providências do governo da Bahia
Moradores relatam morte de peixes e temem desabastecimento via TV do povo chapada; Embasa adota medidas emergenciais enquanto cobranças por barramentos se acumulam
Redação Blog do Léo Barbosa | 15 de outubro de 2026 | Utinga, Bahia
📌 O que acontece?
A situação do Rio Utinga, na Chapada Diamantina, se agravou nos últimos dias. O manancial, que abastece Utinga, Wagner e outras localidades, atingiu nível crítico, com registro de morte de peixes e risco de desabastecimento. A Embasa anunciou medidas emergenciais, enquanto moradores e lideranças cobram do governo estadual a implantação de barramentos prometidos há anos.
💧 A situação do Rio Utinga
Segundo comunicado da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), emitido na última segunda-feira (12), o Rio Utinga secou completamente antes do ponto de captação de água para Wagner. A empresa informou que está adotando medidas emergenciais para manter o fornecimento.
A preocupação não se limita a Utinga. A redução do volume do rio também ameaça o abastecimento em municípios como Wagner e Lajedinho, além de afetar comunidades ribeirinhas que dependem do manancial.
🚰 O que a Embasa informou
- O abastecimento será mantido com o apoio de três poços implantados anteriormente para complementar o sistema
- Será necessário estabelecer um calendário emergencial de distribuição alternada, pois o volume produzido pelos poços não é suficiente para toda a demanda
- A Embasa está em contato com o Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) para disciplinar o uso adequado do rio durante o período de estiagem, intensificado pelo fenômeno El Niño
- A empresa reforçou a importância de a população economizar água e manter reservatórios domiciliares com capacidade adequada
O calendário emergencial de distribuição ainda será divulgado.
📊 O contexto da crise hídrica
A situação do Rio Utinga não é nova. O rio, que tem cerca de 70 km de extensão e corta os municípios de Utinga, Wagner, Lajedinho, Lençóis e Andaraí, vive secas recorrentes desde 2012.
Segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT-BA), o fator mais crítico para a escassez é a expansão da monocultura de banana, cultura que exige grande volume de irrigação, cerca de 40 litros por planta por dia. Entre 2010 e 2025, a área cultivada de banana na região aumentou mais de 400%, saltando de 271 hectares para 1,4 mil hectares.
Em outubro de 2025, o Inema anunciou a restrição de 40% das captações outorgadas, mantendo prioridade apenas para consumo humano e animal. Moradores de comunidades como Volta do Américo, em Lençóis, chegaram a ficar nove dias sem água.
A cobrança por barramentos
A população e lideranças regionais cobram do governo do estado a implantação de barramentos no Rio Utinga, uma demanda antiga que envolve o governo estadual e a expectativa de ações capazes de reduzir os efeitos da estiagem.
Um morador de Utinga, identificado como Paulo, criticou a situação: “É lamentável que passados menos de 30 dias das eleições as comunidades ribeirinhas do Rio Utinga, inclusive cidades como Wagner e Lajedinho já estejam ameaçadas por desabastecimentos d'água e continuem a esperar pelas promessas de 20 anos sobre a perenização do Rio Utinga” .
Em junho de 2025, uma reunião na União dos Municípios da Bahia (UPB) anunciou um plano emergencial para construção de seis pequenos barramentos, quatro em Wagner e dois em Lençóis. Também foi apresentado o projeto da Barragem do Rio Bonito, considerada essencial para resolver definitivamente o problema da escassez hídrica, com previsão de conclusão até 2029.
Em novembro de 2025, o governo da Bahia firmou contrato de R$ 4,3 milhões com a empresa Geotechnique Consultoria e Engenharia para revisar e atualizar os projetos das seis barragens. O prazo de execução é de 360 dias, com término previsto para novembro de 2026.
O que dizem as autoridades
Embasa: A empresa informou que mantém contato com o Inema para disciplinar o uso da água e reforçou a importância da economia e do armazenamento domiciliar .
Governo do Estado: Em reunião com a UPB em agosto de 2026, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que “a seca não escolhe partido” e que o enfrentamento da estiagem precisa estar acima das disputas políticas.
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Fonte: TV do povo chapada. Jornal da Chapada, Bahia Notícias, UPB, Utinga FM, Comissão Pastoral da Terra (CPT-BA) · Publicado em 15/10/2026 · Blog do Léo Barbosa
