Chapada Diamantina: O Mistério do Antigo Império do Diamante Onde Hoje Vivem Apenas 20 Pessoas




A Vila do Ventura, localizada na Chapada Diamantina, a 30 km de Morro do Chapéu (BA), guarda uma das histórias mais impressionantes e pouco conhecidas do Brasil. Um vilarejo que já abrigou 3 mil habitantes, viveu o auge da extração do diamante negro e quase se tornou uma cidade independente, mas que hoje conta com apenas 20 moradores fixos.

O contraste entre passado e presente transformou Ventura em um verdadeiro tesouro esquecido, perfeito para quem ama história, turismo cultural, mistérios e destinos inusitados da Chapada Diamantina.


Por que a Vila do Ventura é tão fascinante?

  • Já foi mais populosa e influente do que Morro do Chapéu
  • Era um dos principais centros de extração do carbonato (diamante negro)
  • Concentrou riqueza, comércio, festas luxuosas e até rixas políticas
  • Possui casarões tombados pelo IPAC e um sítio arqueológico com 3 mil anos de história
  • Hoje, vive praticamente isolada mas cheia de histórias extraordinárias



💎 A Era do Diamante Negro: quando Ventura era uma potência

Em 1914, um censo registrou 3 mil moradores vivendo no distrito, impulsionados pela exploração do carbonato, uma pedra extremamente resistente, usada na época para produzir brocas industriais.

Segundo o historiador e morador local Marcos Gonçalves, Ventura era tão próspera que superava Morro do Chapéu em importância econômica, o que gerou tentativas de emancipação e uma rixa histórica entre as localidades.

As ruas tinham nomes curiosos, como “Paz e Amor” e “Rua do Gelo”, onde funcionavam antigos prostíbulos frequentados por garimpeiros enriquecidos, há quem diga que as moças eram francesas, mas isso ainda carece de estudos.




🏛️ Coroas, casarões e o coronel negro da Chapada

Um dos personagens mais surpreendentes associados ao vilarejo é o Coronel Francisco Dias Coelho, considerado um dos raros e talvez o único: coronel negro da Chapada Diamantina no século XIX.

Ex-morador humilde, enriquecido com o garimpo do carbonato, ele:

  • comprou a patente de tenente-coronel
  • tornou-se intendente (equivalente a prefeito) de Morro do Chapéu em 1911
  • e em 1914 foi o principal responsável por barrar a emancipação da própria vila que lhe deu riqueza

Um capítulo irônico e marcante da história de Ventura.


Festas lendárias, riqueza e vida social intensa

Dois recortes históricos do jornal Correio do Sertão mostram o luxo e a vida cultural do vilarejo:

📌 1923 - Festa do Terno de Reis

  • Buffet farto
  • Festa até o amanhecer
  • Moradores identificados como “venturenses”, reforçando o orgulho local

📌 1945 - Fim da Segunda Guerra Mundial

A comemoração pela rendição da Alemanha nazista aconteceu em uma casa que ainda existe e onde hoje mora o professor Marcos Gonçalves.
O jornal registra uma orquestra sinfônica e uma noite festiva digna de cidade grande.


⬇️ O declínio: seca, guerra e isolamento

Segundo o arqueólogo Railson Cotias, responsável por um dos estudos mais completos sobre a vila, o declínio não teve relação com tragédia ou expulsões. O que matou Ventura foi o tempo e a economia do garimpo.

Principais fatores:

  • A seca devastadora de 1934
  • O impacto da Segunda Guerra Mundial na exportação do carbonato
  • O fim da antiga rota que ligava Morro do Chapéu a Salvador
  • O isolamento geográfico progressivo

A vila perdeu importância, moradores migraram em massa e Ventura nunca se recuperou.


🚧 Como é Ventura hoje? Uma vila quase intocada pelo tempo

  • Apenas 20 moradores
  • Acesso por estrada de terra com cancela
  • Quando o rio Ventura enche, ninguém entra ou sai
  • A energia elétrica só chegou há 11 anos
  • Zero violência
  • Casarões e fachadas tombados pelo IPAC desde 2005

E, como se não bastasse, a vila ainda guarda um sítio arqueológico com mais de 3 mil anos, com pinturas rupestres intactas, uma verdadeira cápsula do tempo em meio à Chapada Diamantina.


🏞️ Um vilarejo que já brilhou no passado e ainda brilha no presente

A Vila do Ventura é um destino perfeito para:

  • amantes de história
  • exploradores da Chapada Diamantina
  • viajantes que buscam locais pouco conhecidos
  • pesquisadores
  • turistas que querem vivenciar silêncio, natureza e patrimônio preservado

Apesar de pequena, Ventura tem um passado grandioso e um futuro que ainda está sendo escrito.


Fonte: Correio

Fotos: Reprodução \ interior da Bahia

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