A pesquisa, em andamento há mais de 25 anos, já apresenta resultados impressionantes em humanos e pode transformar a medicina regenerativa mundial.
O que é a “vacina da medula”
A chamada vacina, na verdade, é uma molécula biológica produzida em laboratório a partir de uma proteína natural presente durante o desenvolvimento embrionário: a laminina. Essa substância forma uma malha que guia os neurônios a se reconectarem, um processo essencial para o movimento corporal.
A versão criada pela equipe da UFRJ, batizada de polilaminina, recria essa malha e é aplicada diretamente na medula espinhal durante uma cirurgia. Assim, os neurônios danificados voltam a se comunicar, permitindo que o cérebro volte a enviar comandos motores ao corpo.
“Quando a polilaminina é aplicada, ela funciona como uma ponte biológica, guiando o crescimento dos neurônios e restabelecendo a comunicação perdida”, explica a pesquisadora Tatiana Sampaio.
Casos de pacientes que voltaram a andar
Entre os beneficiados está Bruno Drummond de Freitas, de 30 anos, que sofreu um grave acidente de carro e ficou completamente paralisado do pescoço para baixo. Após participar do estudo, Bruno recuperou gradualmente os movimentos começando pelo dedão do pé e, meses depois, voltando a andar, trabalhar e praticar esportes.
“Disseram que eu passaria o resto da vida em uma cadeira de rodas. Hoje, caminho normalmente. Foi essa pesquisa que me devolveu a vida”, contou Bruno, emocionado.
Outros seis pacientes com lesões graves também apresentaram melhoras significativas, incluindo a recuperação de movimentos em pernas e braços.
🧠 Um avanço da ciência brasileira
A pesquisa é financiada pela FAPERJ e está em fase final de testes clínicos. Com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a vacina poderá ser disponibilizada em hospitais brasileiros e, futuramente, no SUS.
“É emocionante ver pessoas que estavam paralisadas voltando a andar graças a um estudo feito no Rio de Janeiro, com investimento público. Essa é a força da ciência nacional”, destacou Caroline Alves.
Impacto global
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 15 milhões de pessoas no mundo vivem com sequelas de lesões na medula espinhal uma condição até então considerada irreversível.
Com os resultados promissores da polilaminina, o Brasil pode se tornar referência mundial em medicina regenerativa, abrindo caminho para tratamentos de outras doenças neurológicas, como o mal de Parkinson e a esclerose múltipla.
Fonte: Faperj.