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Bonito: Revista Nova Escola divulga reportagem sobre atividade permanente realizada pela professora Lucivane Fernandes


Há algum tempo, Lucivane Fernandes de Souza e toda a equipe da EM 13 de Junho, em Bonito, a 425 quilômetros de Salvador, se perguntavam como fazer a garotada tomar gosto pelos livros. Apesar de a escola ter um acervo de obras literárias, a biblioteca era pouco utilizada. Raramente alguém fazia um empréstimo. Em busca de alternativas, a professora, responsável pela área de Língua Portuguesa, e a coordenadora pedagógica Ivone Mina Cedro resolveram fazer um curso de pós-graduação na Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e estudar sobre o desenvolvimento de iniciativas de fomento à leitura.

Surgiu, então, a ideia de transformar a sala de aula em um espaço dedicado aos livros. Uma vez por semana, as carteiras do 6º ao 9º ano cedem lugar a tapetes, pufes e almofadas para que a turma
possa sentar de modo mais confortável e dar asas à imaginação. Distribuídas sobre a mesa, algumas obras previamente selecionadas pela docente podem ser escolhidas com liberdade. Na porta da sala, um cartaz pede silêncio aos passantes. Os dez minutos finais da aula são reservados para a tomada de breves notas sobre o que mais chamou a atenção no trecho lido. Essas anotações servem de guia para cada um contar o que mais agradou, em rodas de conversa mensais. Ao final do processo, todos podem escolher novas obras. A formadora Célia comenta que não é preciso que
todos tenham finalizado a leitura para poder comentá-la. Afinal, repetimos esse comportamento no dia a dia. É muito comum conversar com alguém sobre um livro que ainda estamos lendo.

Apesar da empolgação inicial - ou justamente por causa dela -, a iniciativa não decolou de imediato. No começo, a informalidade do ambiente foi interpretada pela classe como um momento propício para brincadeiras e descontração. "O primeiro encontro foi uma algazarra. Eles fizeram de tudo, menos ler", lembra Lucivane. Para acalmá-los e dar o exemplo, a docente leu trechos de uma das obras disponíveis. Além de serenar os ânimos, essa atitude também tem propósito pedagógico, uma vez que a professora serve de modelo para os estudantes.

"Participando desse tipo de situações, as crianças estão se formando como leitores e se nutrindo de palavras, ideias e formas que incidirão positivamente na elaboração de suas produções escritas", afirma a pesquisadora argentina Ana María Kaufman em Leer y Escribir: El Día a Día en las Aulas (256 págs., Ed. Aique, sem tradução para o português). Com o passar do tempo, a agitação foi deixada de lado. "No clube do livro, eles desenvolveram o comportamento leitor, aprenderam a tomar notas, melhoraram a oralidade e criaram gosto pela leitura", comemora Lucivane. (Revista Nova Escola)

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