STF analisa relatório da PF sobre Moraes; ministro nega irregularidades e fala em "vingança política"
Sessão extraordinária desta terça (15) vai decidir se os elementos reunidos justificam abertura de investigação contra o ministro
Redação Blog do Léo Barbosa | 15 de setembro de 2026 | Brasília (DF)
📌 O que acontece?
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúne nesta terça-feira (15) em sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, e ao ministro Alexandre de Moraes. Os ministros vão decidir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra o magistrado. A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
O que pesa contra Moraes
As suspeitas estão relacionadas a mensagens e anotações encontradas no celular de Daniel Vorcaro. O relatório da PF aponta os seguintes pontos:
- Contrato de R$ 130 milhões: Registros indicam que Moraes atuou na edição de um contrato entre o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. Um segundo acordo, de R$ 50 milhões, também teria sido firmado com outra empresa do banqueiro.
- Mensagem antes da prisão: Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro questionou Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Dois dias depois, o banqueiro foi preso pela PF.
- Encontros entre Vorcaro e Moraes: O relatório aponta que os dois teriam se encontrado diversas vezes entre março de 2024 e agosto de 2025.
- "Dívida de vida": Em uma das mensagens, Vorcaro disse a Moraes ter uma "dívida de vida" com o ministro e agradeceu por "tudo".
O que Moraes diz em sua defesa
O ministro nega ter cometido qualquer irregularidade e afirma que as acusações tentam responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros. Veja os principais argumentos:
- Nega favorecimento: Afirma que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição.
- Relatório sem indícios: Diz que o relatório da PF "não apontou a existência de nenhum indício de infração penal" de sua parte.
- Sem mensagens de sua autoria: Enfatiza que não há "nenhuma mensagem" dele que indique consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operações policiais.
- Motivação político-eleitoral: Afirma que a ofensiva contra ele tem motivação "político-eleitoral" e representa uma tentativa de "vingança".
- Ilegalidade da investigação: Questiona a forma como a apuração foi instaurada pelo ministro André Mendonça, sem pedido da PGR, sem provocação da PF e sem autorização do plenário do STF.
📌 O argumento sobre vazamento
Um dos principais argumentos de Moraes é que a hipótese de vazamento de informações não seria compatível com o resultado da própria investigação. Ele destaca que Vorcaro foi preso quando se preparava para embarcar em um avião, com o passaporte verdadeiro e o próprio celular.
Para o ministro, isso indica que o banqueiro não tinha conhecimento prévio da existência do mandado de prisão. Moraes argumenta que "não é lógico, razoável e plausível" concluir que houve favorecimento ou vazamento, uma vez que a operação da PF foi bem-sucedida.
PGR e Mendonça
- PGR: A Procuradoria-Geral da República se manifestou formalmente pelo arquivamento do relatório por "vício de origem", por ter sido instaurado por Mendonça sem provocação prévia do MPF ou da PF.
- André Mendonça: Em documento enviado a Fachin, defendeu a legalidade das medidas adotadas, afirmando que agiu por cautela para preservar as investigações após anotações de Vorcaro mencionarem os nomes do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Próximos passos
A sessão de julgamento começa com a leitura do parecer pelo presidente Edson Fachin, seguida de manifestações da PGR, eventuais sustentações orais e a votação dos ministros na ordem regimental.
Cabe ao plenário do STF decidir se os elementos reunidos no relatório justificam a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.
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Fonte: g1 · Publicado em 15/09/2026 · Blog do Léo Barbosa